ao abrir os olhos e me dar conta de emoções, de pessoas, dos desafios que o dia me aguardava, aqueles desafios instigantes, enriquecedores, que nos fazem sentir fortes e capazes de crescer. o universo é cheio de órbitas, iguais àquelas do sistema solar que a gente aprende no colégio. quando a gente vivencia alguns picos de felicidade, a gente alcança uma das mais especiais. e quando a gente vivencia a felicidade por conta de sentimentos de amor, de partilha, de honestidade, aí... alcançamos a mais especial das órbitas! e todos aqueles que estão sentindo isso também estão lá, conectados a ela. esta é a órbita mais perto de deus. e foi essa conexão que me fascinou. eu sabia que estava perto de deus. sabe-se lá quem é deus! não me interessa! ele pode ser um cachorro, um espírito ou um diabo. mas ele existe e me respondeu: bom dia, sua danada.
terça-feira, 14 de junho de 2011
domingo, 5 de dezembro de 2010
até a revolução, beibe
chegou a hora, moço
de dizer
adeus você
espero que você seja feliz
que você viva o que tem de viver
que surja o reino da paz
e que eu siga
como estava seguindo
minha estrada
estava viajando (sempre estou)
só parei um pouquinho
encontrei um rapaz bonito no caminho
cumprimentei-o, trocamos estórias, sorrimos
e eu volto à caminhada
o mundo me aguarda
e que nossa história fique na lembrança
com carinho
será o nosso segredinho
que você se lembre dos nossos passeios
de bike, de bus, de reboque e de carro
nossas descobertas
nossas discussões políticas
nossas piadas internas
e alguns abraços nas esquinas
nossos corpos juntos
calor, cheiro, beijo, desejo
meu deus, que desejo
foi divertido
avassalador
e impulsivo
que fique na memória
a história
incompleta, concreta e complexa
do primeiro e único romance da pós-modernidade
entre dois subcomandantes
adeus, companheiro,
bom e velho militante
de sua amante
um beijo
de dizer
adeus você
espero que você seja feliz
que você viva o que tem de viver
que surja o reino da paz
e que eu siga
como estava seguindo
minha estrada
estava viajando (sempre estou)
só parei um pouquinho
encontrei um rapaz bonito no caminho
cumprimentei-o, trocamos estórias, sorrimos
e eu volto à caminhada
o mundo me aguarda
e que nossa história fique na lembrança
com carinho
será o nosso segredinho
que você se lembre dos nossos passeios
de bike, de bus, de reboque e de carro
nossas descobertas
nossas discussões políticas
nossas piadas internas
e alguns abraços nas esquinas
nossos corpos juntos
calor, cheiro, beijo, desejo
meu deus, que desejo
foi divertido
avassalador
e impulsivo
que fique na memória
a história
incompleta, concreta e complexa
do primeiro e único romance da pós-modernidade
entre dois subcomandantes
adeus, companheiro,
bom e velho militante
de sua amante
um beijo
terça-feira, 25 de maio de 2010
correspondência
ai, cacá... tenho estado tão séria, minha amiga. o mundo fez isso comigo, moça. há um tempo que não dou gargalhadas. desde que cheguei aqui na capital que a vida me ferrou, pra não dizer o trânsito e as provas da faculdade. saudade dos tempos em que você pegava na minha mão e me levava pro circo, saudade das nossas risadas. não me deixe por aqui, minha irmã! venha pra cá e me leve embora desse marasmo. tenho estado tão séria... porque não vem e me paga umas cervejas? vamos ao parque, compramos uns balões coloridos e vemos um filme no cinema. o que há com você que não me escreve mais? espero que esteja se divertindo com o pessoal antigo, porque aqui vai de mal a pior. sabe, as pessoas aqui não riem. o último sorriso que peguei foi da moça da lavanderia que achou uns trocados no bolso da calça do velho rabujento da esquina. então? vai me deixar mofar por aqui? tenho estado tão séria... vem me buscar e tomamos uns vinhos na esquina, contamos umas piadas e pronto. aqui é muito ruim, pô. vê se traz uns fumos também. aqui tá difícil de plantar. porque você não veio, menina? se você não vier, daqui a uns dias apareço no jornal como suicida, você duvida? traz tua bicicleta e vamos dar umas voltas. vamos ganhar o mundo e rir de tudo? tenho estado tão séria...
baseada em sentimentos reais,
"cômica tragicrônica" para Cacá.
quinta-feira, 18 de março de 2010
sob pressão
de um lado a tentativa incessante de convencer personagens do falacioso teatro do qual fazem parte, mostrando-lhes que a TV que vêem não é colorida e, sim, preto e branca, tentando apresentar-lhes a mentira que é a vida e o preço que se tem de pagar para viver. do outro a constante sensação de ter que provar um mérito que talvez eu nem tenha para os próximos dos quais escohi aproximar-me, mas que não são mais próximos porque a proximidade sempre me causou ódio. porque não suporto as imperfeições e agonizo enquanto não lhes apontar, transformando seus pecados em minha histeria. do outro lado, do meu corpo, tenho o sexo que se recusa a despir-se enquanto o sol não nascer e todas as cortinas das janelas alheias não caírem, suportando a dor nos olhos que me dá quando acendem as luzes artificiais e o aperto no peito que me causam suas mãos entorpecentes. agora sou mais sentimento do que razão e sinto todo o cansaço que meus ombros, enterrados abaixo de montanhas de medo e de força, podem sentir.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
já fui idiota
há quem diga que a palavra "livro" significa exatamente algo do qual você se "livra" depois que escreve. eu, por exemplo, sempre vou me irritar com o que escrevo. pode ser logo que termino de escrever e pode ser depois de dois anos - como estou detestando agora as coisas que escrevi nesse blog ridículo - mas eu sempre vou me irritar. ainda bem, né? pior seria se eu ainda gostasse dessas baboseiras que escrevi há um tempo atrás. isso significa que, no mínimo, meu senso estético e minhas idéias mudaram (ou não). eu diria que os textos antigos são muito ruins. e que os textos recentes, minha nossa, também são muito ruins. caralho, que merda é essa que eu tou escrevendo aqui?
terça-feira, 10 de novembro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
instituição

na minha vida, preciso armar bem as estruturas, colocá-las firmes e seguras, pois sou um ser altamente volúvel, fujo fácil da instituição, mesmo que eu, outrora, já a tenha virado ao avesso; mesmo aquelas as quais eu própria subverti.
a cultura cria as instituições e as instituições sustentam a cultura.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
tempestuosa
prefiro a melancolia das tuas mãos inquietas sem saber onde repousarem. se é no bolso da calça, ou no copo descartável de cerveja que você insiste em usar, eu não sei. só sei que permanecem inquietas, exalando um fogo infernal, coisa de gente que não nasceu pra ir pra igreja. gente sem regras, mesmo. eu, por exemplo, tenho a certeza de que detesto a igreja mais do que você. mas, oras, eu já fui cristã. coisa de gente que tem regras. você, não. me impressiona e admira. me preocupa, de fato. essa tua angústia incessante, tua alma carente do que não se sabe nunca. o que diabos essa menina tem? olhos pequenos, voltados para baixo, meio triste, mas ainda com um sorriso de menina desabrochada que acabou de sair da adolescência. tão pequena e frágil, pele de boneca, rosto angelical, mas com o inferno dentro de si. o inferno, pessoal, não se enganem, mora dentro daquela menina. o inferno e todos os pecados que um carnaval pode ter. toda a obsessão e compulsão que a pós-modernidade oferece. ninguém como eu para te entender, moça. já fui anjo e já fui cão também. prefiro essa tua doidice inquietante e interessante do que a normalidade dos que nunca sofrem. mas quando estiver no auge da tua agonia insana, deita aqui no meu colo velho e rabugento, meio ineficiente, eu sei, mas que promete nunca deixar de te entender.
para Ludmila, a Gordinha, meu xodó.
para Ludmila, a Gordinha, meu xodó.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
sim, eu estou viva

questionar os próprios valores, os paradigmas que norteiam nossas ações e, por conseguinte, a vida que se tem é um exercício de honestidade e crescimento. não são todas as pessoas que escolhem entrar nessa busca, pois isso nos obriga a deparar-nos com nossas próprias limitações. aliás, as pessoas que costumam fazer isso diariamente são cotidianamente propensas a uma grande desconstrução interna, não precisam escolher entrar nesse caminho, elas dormem e acordam com a idéia de que o grande dia da mudança está chegando, seja lá qual for a mudança, ela sempre vai chegar e mais de uma vez. de repente, a invalidez de idéias antigas toma conta do juízo e o sujeito é invadido por uma chuva de auto-reprovações, talvez contra sua própria vontade imediata, e então sofre. mas lá atrás ele decidiu correr esse risco. esse é o risco que, no fundo, escolhemos na tentativa de ficarmos mais próximos da nossa essência. pessoas inteligentes se permitem sofrer. mas existem aquelas que pautaram suas vidas sempre em fundamentos superficiais e momentos de "revisão" (como esse em que você se encontra) nunca chegam, não têm espaço pra isso. é quando a forma aprisiona o conteúdo. alguns limites existem para serem transpostos, pois quanto mais reflexão e mais vontade de questionar as próprias estruturas, mais íntegros serão nossos princípios. escutar você dizendo que minha presença desencadeou tudo isso em você faz-me sentir MUITO VIVA. significa que carrego em mim esse movimento veloz e por isso ando exalando energias transformadoras que ao entrar em contato com outros seres viram combustíveis potentes capazes de girar a engrenagem da vida, pois, pra mim, vida é isso: constante mudança, ressignificação. obrigada por me fazer sentir-me viva.
para Eduardo.
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